Milton Leite é indiciado por suspeita de ligação com o PCC
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite foi indiciado pela Polícia Civil sob a suspeita de integrar e promover a facção criminosa PCC. O relatório final da Operação Vectura Corrupta foi apresentado à Justiça na sexta-feira (6) e pede a prisão preventiva dele e de outros 12 investigados. O pedido ainda não foi analisado pela Justiça.
O documento reúne indícios de que empresas de ônibus que prestam serviço em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção depois de obter licitações. A polícia também apura suspeitas de corrupção de servidores públicos e de envolvimento do PCC no financiamento de campanhas nas eleições de 2024.
Segundo os investigadores, há elementos suficientes para afirmar que todos os 13 indiciados integraram ou promoveram os interesses do Primeiro Comando da Capital. Em caso de condenação, as penas podem variar de 3 a 8 anos de prisão.
Milton Leite indiciado: o que diz o relatório final
A Polícia Civil apresentou o relatório final da Operação Vectura Corrupta na sexta-feira (6). O inquérito investigou a infiltração do crime organizado no transporte coletivo de ônibus da capital paulista e de outras cidades de São Paulo.
No documento, os investigadores pedem a prisão preventiva, sem prazo de validade, de todos os 13 indiciados. A polícia optou por denunciar os suspeitos por organização criminosa e promoção do PCC, e decidiu continuar a apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Entre os indiciados estão nomes do setor de transportes, como a empresária Carla de Paula Muller e o empresário Paulo Korek. A reportagem procurou as defesas dos dois.
As duas citações que embasaram o pedido
O indiciamento de Milton Leite foi sustentado por duas circunstâncias em que o nome dele aparece citado por terceiros. O ex-vereador é mencionado em um áudio encontrado em aparelho celular apreendido e em depoimentos de policiais militares prestados à Corregedoria da Polícia Militar.
As duas citações tratam de supostas conexões de Leite com empresas que foram alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024. A operação mirou justamente a infiltração do PCC no transporte coletivo da cidade de São Paulo.
Os investigadores afirmam que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que gerenciou durante anos linhas de ônibus na capital paulista. O contrato foi rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes por suspeitas de envolvimento com a facção.
O que dizem as defesas
Desde a deflagração da operação, Milton Leite nega de forma veemente qualquer relação com facções criminosas ou com a Transwolff. A reportagem procurou o advogado do ex-vereador na tarde de sábado (7), por telefonema e aplicativo de mensagem, mas não recebeu resposta.
A defesa de Carla Muller afirmou ter “absoluta convicção na inocência de sua cliente”, que será comprovada ao longo das apurações. Os advogados disseram que ela já prestou todos os esclarecimentos necessários à autoridade policial e acreditam que sequer haverá denúncia.
Advogados do casal declararam que as acusações contra Carla são inverídicas. Já a defesa de Paulo Korek não respondeu à reportagem.
Leite está preso desde setembro
Milton Leite está preso desde o dia 18 de setembro. Naquela data, ele se entregou na sede da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.
O caso tem relação com um histórico já coberto por este site, quando as mensagens que ligam Milton Leite aos PMs presos por elo com o PCC vieram a público no início do ano.
O inquérito aponta que Granada dá ordens a sócios de empresas do ramo por meio da esposa. Carla, por sua vez, teria recebido dinheiro de um sócio de uma empresa que operava em Cubatão e tinha participação acionária numa companhia já acusada de pertencer ao PCC.
Outros investigados e a situação de cada um
Outro indiciado é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão. A quebra do sigilo do celular dele foi a principal fonte da investigação, segundo a polícia. Os investigadores afirmam que ele é subordinado de Carla. Satilite está foragido.
A polícia suspeita que Paulo Korek tenha feito uma venda fictícia de sua antiga empresa, a Translider, para Satilite. Conversas de celular indicam pagamentos mensais de R$ 10 mil a Satilite feitos por um funcionário de Korek.
Em setembro, a defesa de Korek já havia declarado que não havia provas para essa acusação. Os advogados afirmaram que as acusações se baseiam apenas em declarações de terceiros.
O que esperar daqui para frente
O pedido de prisão preventiva dos 13 indiciados depende agora de análise da Justiça. Como Leite já está preso, o foco da discussão passa a ser a eventual denúncia do Ministério Público e o andamento das apurações sobre lavagem de dinheiro.
A investigação também mira o financiamento de campanhas nas eleições municipais de 2024 em cidades paulistas. Esse ponto pode ampliar o alcance do caso, que já atingiu o comando do transporte coletivo da capital.

Com informações de ICL Notícias e Folhapress.
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