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Tarcísio muda o tom e defende negociação com EUA após ligação Lula-Trump

Tarcísio muda o tom e defende negociação com EUA após ligação Lula-Trump

Tarcísio muda o tom e defende negociação com EUA após ligação Lula-Trump

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu neste sábado (22) a manutenção do diálogo entre Brasil e Estados Unidos, após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na sexta-feira (21). Em agenda de campanha em Ribeirão Preto, no interior paulista, ele afirmou que “a negociação não pode cessar”.

O movimento representa uma inflexão no discurso do governador, que nas últimas semanas vinha fazendo críticas à condução da crise comercial pelo governo federal. Agora, Tarcísio recalibra o tom e passa a defender a continuidade do canal de diálogo com Washington.

O que disse Tarcísio

Questionado pela CNN Brasil sobre o telefonema entre Lula e Trump, Tarcísio declarou: “A gente sempre defendeu o diálogo, sempre defendeu a negociação. A negociação não pode cessar”.

O governador destacou que dois terços dos produtos brasileiros ficaram na lista de exceções às tarifas americanas, mas pondera que o terço restante ainda causa preocupação: “Nós temos um terço, e esse terço é importante para o Brasil, é importante para setores como o de madeira, como o setor de máquinas e equipamentos”.

Para Tarcísio, é necessário “abrir portas para resolver, equacionar isso definitivamente, manter uma boa relação com um país estratégico, fundamental”.

Das críticas ao diálogo

O novo posicionamento contrasta com as declarações que o governador vinha fazendo. Em julho, após o governo americano oficializar uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, Tarcísio esteve entre os adversários do presidente que questionaram a estratégia adotada pelo Planalto e defenderam uma negociação de caráter mais técnico com os americanos.

Do outro lado, o governo Lula sustenta que manteve os canais abertos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou no mês passado que Brasil e Estados Unidos realizaram mais de 30 reuniões desde março de 2025 e rebateu acusações de falta de disposição brasileira para negociar.

O telefonema Lula-Trump

Na sexta-feira (21), Lula e Trump conversaram por quase uma hora e meia. Segundo o Palácio do Planalto, o presidente americano concordou com a realização de uma nova reunião para discutir as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

De acordo com apuração da CNN Brasil, uma nova rodada de negociação já está prevista para a próxima semana, por videoconferência, entre o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Lula afirmou ainda que, durante a conversa, Trump reconheceu como incorretos alguns dos argumentos utilizados para justificar a sobretaxa contra produtos brasileiros.

Contexto eleitoral

As declarações ocorrem em meio à campanha eleitoral de 2026, na qual Tarcísio busca a reeleição ao governo de São Paulo. A crise comercial com os Estados Unidos tem sido um dos temas mais sensíveis do debate público, envolvendo diretamente a economia paulista, que responde por cerca de um terço do PIB industrial brasileiro.

O tarifaço americano afeta setores relevantes para o estado, como máquinas e equipamentos, madeira e produtos agropecuários. A posição do governador diante do tema é acompanhada de perto por eleitores e lideranças políticas do estado.

O que esperar daqui para frente

Com a sinalização de que uma nova rodada de negociações está agendada, o foco se volta agora para o desfecho das tratativas entre os dois países. A postura de Tarcísio de apoio ao diálogo, ainda que tardia segundo seus críticos, pode indicar um movimento de aproximação em torno de uma solução negociada.

A economia paulista, diretamente exposta às tarifas, depende do sucesso dessas conversas para evitar novas pressões sobre setores produtivos e empregos no estado. O resultado das negociações entre Brasil e EUA promete continuar pautando o debate eleitoral nas próximas semanas.

Com informações da CNN Brasil

RedeBrasil

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