Terminal de ônibus na Luz abre mudança do Centro de SP
São Paulo. A construção de um novo terminal de ônibus ao lado da Estação da Luz deve ser a primeira obra do projeto que transfere a sede do governo de São Paulo para o Centro da capital. O equipamento vai substituir o Terminal Princesa Isabel, que será demolido para dar lugar à esplanada central do futuro Centro Administrativo.
A entrega está prevista para 2028, dois anos depois da assinatura do contrato. A obra é uma das poucas etapas que não dependem de desapropriações, porque ocupa um terreno que já pertence ao poder público. Por isso, tem prazo mais curto de conclusão.
O novo terminal de ônibus na Luz fica fora do perímetro do Centro Administrativo, nos Campos Elíseos. Mesmo assim, é peça-chave do projeto. A estrutura libera a área hoje ocupada pelo Terminal Princesa Isabel e destrava as próximas fases do complexo.
O primeiro passo de um projeto de R$ 6 bilhões
O conjunto do novo centro administrativo tem investimento estimado em R$ 6 bilhões, por meio de uma parceria público-privada. A concessão dura 30 anos e foi assinada em 22 de outubro com o consórcio MEZ-RZK Novo Centro.
A concessionária trabalha agora na elaboração de estudos e cronogramas. A etapa deve ser concluída até o fim do ano. Caberá ainda à empresa conduzir desapropriações, indenizações e reassentamentos, previstos para ao longo de 2027.
O Centro Administrativo vai reunir secretarias e órgãos estaduais dispersos em mais de 40 endereços. O projeto prevê sete edifícios e dez torres, com capacidade para cerca de 22 mil servidores.
Além disso, a obra inclui a restauração de 17 imóveis tombados pelo patrimônio histórico. Entre eles está o Palácio dos Campos Elíseos, que vai receber o gabinete do governador.
Terminal terá três plataformas e integração com trens e metrô
O novo equipamento tem investimento estimado em R$ 41,7 milhões. A estrutura terá três plataformas para embarque de passageiros e uma operacional.
A localização ao lado da Estação da Luz é apontada pelo secretário de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos, como a grande vantagem da mudança. “O passageiro vai desembarcar praticamente conectado a toda a rede de transporte sobre trilhos”, afirmou ao g1.
O terminal terá acesso principal pela Avenida Cásper Líbero e fundo voltado para a Rua Brigadeiro Tobias. O terreno fica a poucos metros da entrada da linha 4-Amarela do Metrô.
O projeto dialoga com outras mudanças recentes no transporte paulista, como o monotrilho da Linha 15-Prata e o avanço do novo centro administrativo do estado.
Com cerca de 6 mil metros quadrados, o novo terminal ocupará uma área 43% menor que o Terminal Princesa Isabel. Por isso, parte da operação precisará ser redistribuída para outros pontos da região central.
Princesa Isabel atende 16 linhas e 7 mil passageiros por dia
Segundo a SPTrans, que elaborou o projeto de referência da obra, 10 das 16 linhas que hoje operam no Princesa Isabel serão transferidas para o Terminal Luz. As demais vão partir do Terminal Amaral Gurgel e da Praça da Luz, com ajustes pontuais nos itinerários.
O Terminal Princesa Isabel atende cerca de 7 mil passageiros por dia. A transferência das operações só deve ocorrer quando a nova estrutura estiver pronta e em funcionamento.
“Quando o terminal estiver pronto, nós desativamos o terminal da Praça Princesa Isabel e liberamos aquela área para as próximas etapas do projeto”, disse Afif. Segundo ele, as obras devem começar já no ano que vem.
A concessionária também avalia construir um prédio de apartamentos sobre a laje do novo terminal. A empresa informou que a ideia está em estudo e depende de análises técnicas, urbanísticas e legais.
Praça vira esplanada e ganha garagem subterrânea
Com a retirada do terminal, a área hoje destinada aos ônibus será incorporada à esplanada do Centro Administrativo. A intenção do governo é recuperar a continuidade da praça e manter o espaço aberto à população.
Inaugurado em 1997, o Terminal Princesa Isabel tem 10,6 mil metros quadrados e ocupa praticamente metade da praça. A proposta também prevê a remoção das grades instaladas ao redor da área pública.
O local foi cercado em 2022, após sucessivas ocupações por usuários e traficantes de drogas. O governo afirma que pretende restabelecer o livre acesso ao espaço.
“Nós vamos ganhar a praça por inteiro. A condição é abrir a praça. O governo tem que estar onde o povo está”, afirma o secretário.
Após a saída dos ônibus, a concessionária dará início às escavações de uma garagem subterrânea com quatro pavimentos e capacidade para 1.043 veículos. O complexo terá ao todo 4,5 mil vagas de estacionamento.
O que muda no entorno e nas ruas próximas
As intervenções vão alterar a circulação na região da Luz. A Rua Guaianases deverá ser incorporada à área de convivência da praça, ampliando o espaço para pedestres.
A Avenida Rio Branco continuará aberta ao tráfego de veículos, mas passará por requalificação urbana. A ideia é que a via e as calçadas tenham o mesmo nível, modelo adotado em áreas de prioridade para a mobilidade a pé.
Além da mobilidade, o projeto prevê espaços comerciais e outras fontes de receita para a concessionária. Estão no contrato a locação de lojas, a exploração de publicidade, o estacionamento e a eventual comercialização de naming rights.
O que esperar daqui para frente
As principais obras dos edifícios administrativos devem se concentrar entre 2028 e 2030, com possibilidade de avançar até 2031. O calendário depende das desapropriações e das licenças urbanísticas e ambientais.
O novo terminal de ônibus na Luz é a etapa mais adiantada do pacote. Como não exige remoção de moradores nem grandes licenças, ele serve de teste para a logística do restante do projeto no Centro.
Para quem passa pela região da Estação da Luz todos os dias, a mudança mais imediata será o remanejamento de linhas. A transferência completa só ocorre depois que a nova estrutura estiver em operação, o que o governo projeta para 2028.
Com informações de Leonardo Zvarick/g1 SP.
(Foto: Reprodução/Governo de São Paulo)
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