TSE cobra Meta sobre restrições à campanha de Lula
O ministro substituto Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, questionou a Meta sobre supostas restrições a conteúdos da campanha de Lula. A decisão saiu neste sábado (10) e dá 48 horas para a dona do Facebook e do Instagram prestar informações.
A campanha do presidente apontou irregularidades que levantam suspeita de favorecimento a Flávio Bolsonaro (PL) nas redes. Segundo relatórios técnicos apresentados ao TSE, há indícios de tratamento desigual entre as candidaturas, com engajamento desproporcional e inconsistências nas métricas do perfil de Lula.
O que a campanha de Lula aponta
A equipe do petista afirma ter sido prejudicada pela empresa em vários momentos desde o fim do ano passado. Ao pedir explicações, diz receber sempre a mesma resposta, a de que houve problemas técnicos.
“Isso causa um desequilíbrio em uma eleição tão apertada”, afirmou o senador e ex-ministro Camilo Santana, um dos coordenadores da campanha. “É uma intervenção que nós queremos denunciar”, disse.
Em nota, a campanha listou episódios. O mais recente ocorreu entre a sexta-feira (9) e o sábado (10), quando o perfil de Lula teria sido impedido de impulsionar conteúdos do feed no Instagram.
Outro caso citado é o da conta de anúncios do presidente, que teria sido desabilitada em 23 de setembro, durante o primeiro turno. Os petistas também dizem que uma publicação oficial sofreu interrupção no número de visualizações registrado.
A Folha consultou a biblioteca de anúncios da Meta na manhã de sábado e encontrou 11 anúncios impulsionados ativos nos perfis de Lula no Instagram e no Facebook. A campanha sustenta que a sucessão de falhas não explicadas alimenta a suspeita de interferência no processo eleitoral.
TSE cobra Meta: as seis exigências em 48 horas
Bellizze considerou prudente obter dados técnicos diretos da plataforma. Para o ministro, as alegações envolvem o funcionamento interno de sistemas complexos e os registros estão sob controle restrito da empresa.
Na decisão, a Meta deve:
- preservar todos os registros de moderação, dados de anúncios e métricas ligados ao caso;
- informar as medidas de moderação aplicadas desde 16 de agosto, quando começou o horário eleitoral;
- detalhar os critérios de contagem e recontagem de visualizações;
- justificar a desabilitação da conta de anúncios da campanha de Lula em 23 de setembro;
- demonstrar se identificou rede de perfis automatizados que atuava por Flávio Bolsonaro e atacava Lula;
- explicar como aplicou a regra de exclusão de candidatos à Presidência dos sistemas de recomendação.
Neste último item, o TSE quer saber se a medida valeu de forma idêntica para as duas candidaturas do segundo turno.
Campanha aciona TSE e ANPD
A campanha de Lula também decidiu acionar a Agência Nacional de Proteção de Dados. Camilo Santana afirmou que as medidas na Justiça Eleitoral e na ANPD são necessárias porque a empresa não explica os episódios apontados.
“Reconhece o erro, mas não justifica, e continua cometendo novos erros enquanto estamos a 15 dias das eleições”, declarou o senador.
A reportagem procurou a Meta para ouvir a versão da empresa. Em situações anteriores, a plataforma atribuiu falhas a problemas técnicos.
Receio de interferência externa
Nos últimos meses, aliados de Lula relataram receio de interferência americana na eleição brasileira em favor de Flávio Bolsonaro. O motivo seria a preferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por políticos de direita.
Uma das hipóteses levantadas pelo campo do presidente era justamente a de que a interferência viesse por meio de empresas de tecnologia. A denúncia contra a Meta reforça esse debate no Tribunal Superior Eleitoral.
Na outra ponta, o TSE também deu 72 horas para a campanha de Flávio Bolsonaro detalhar uma ação contra Lula e o deputado André Janones, segundo o Poder360. Como resultado, os dois lados passam a semana com prazos abertos na corte eleitoral.
Contexto da virada nas redes
A campanha passou por uma reformulação depois do primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Desde então, o esforço de reeleição ganhou mais presença nas redes, ambiente em que o bolsonarismo costuma levar vantagem. A campanha também passou a mirar o eleitor de centro e a redução da abstenção, como mostrou esta reportagem do RedeBrasil.
O que esperar daqui para frente
O prazo de 48 horas corre a partir da intimação. Portanto, a resposta da Meta deve chegar antes da próxima semana, quando a campanha intensifica os atos de rua em São Paulo e no Rio.
Se a empresa não apresentar os dados exigidos, o TSE pode adotar medidas adicionais dentro da ação. A disputa sobre o alcance digital, assim, entra na reta final do segundo turno com o mesmo peso das agendas de rua.
Com informações da CartaCapital
Foto: Ricardo Stuckert/PR, CartaCapital
RedeBrasil



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