Ataque hacker à Binance: saques são retomados no domingo
O ataque hacker à Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, tentou desviar mais de US$ 6 bilhões e obrigou a empresa a suspender os saques por mais de dois dias. Neste domingo (1º), a plataforma começou a liberar as retiradas de clientes. O FBI atribuiu a invasão ao grupo TraderTraitor, uma unidade de elite de hackers da Coreia do Norte.
A corretora informou que já repôs cerca de 90 por cento das moedas roubadas, usando recursos do caixa corporativo, de fundos de emergência e de seguro. A promessa é ressarcir os clientes sem repassar o prejuízo aos usuários.
O que a Binance informou sobre os saques
A retomada começou pelo Bitcoin, depois das 14h no horário de Singapura, segundo relatos da imprensa internacional. A primeira fase do processo abrange 15 tokens, entre eles o Ether e as duas maiores stablecoins do mercado, o USDT, da Tether, e o USDC, da Circle Internet Group.
Por volta das 19h30, os saques já estavam liberados em 12 redes blockchain, incluindo Ethereum, BNB Smart Chain, XRP e Base. A empresa descreveu o processo como gradual. “Estamos adotando uma abordagem faseada, priorizando tokens com base nos dados de demanda dos usuários da última semana, para que cada rede e par de ativos possa ser restaurado cuidadosamente, com verificações de estabilidade e segurança concluídas antes da reabertura do acesso”, afirmou a Binance em publicação na rede social X.
A companhia também prometeu assumir a conta. “Nosso compromisso permanece inalterado: a Binance arcará com o impacto financeiro dos fundos roubados”, declarou. “Essas perdas não serão repassadas aos usuários.”
FBI aponta a Coreia do Norte e o grupo TraderTraitor
Em comunicado divulgado no sábado, o FBI afirmou que o ataque partiu do TraderTraitor, grupo que o órgão responsabiliza também pelo roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, em 2025. A investigação teve apoio do Serviço Secreto dos Estados Unidos e da divisão criminal da Receita Federal americana.
Segundo o FBI, os criminosos convertem os ativos roubados principalmente em Ethereum. A expectativa do órgão é que esses recursos passem por novas etapas de lavagem de dinheiro, com o uso de serviços de finanças descentralizadas e de trocas instantâneas de criptomoedas.
O presidente Donald Trump já havia dito, na sexta-feira, que os Estados Unidos investigavam se a Coreia do Norte estava por trás da invasão. “Não sabemos. Estamos investigando essa possibilidade”, declarou ele a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
Impacto no mercado de criptomoedas
O volume desviado chamou atenção pelo tamanho. Reportagens citam US$ 6,3 bilhões, cerca de quatro vezes o valor perdido pela Bybit no ano passado. Analistas avaliam que o caso pode entrar para a história como o maior golpe financeiro já registrado.
Apesar da dimensão, o efeito sobre o mercado ficou contido. A maior parte das principais criptomoedas registrou variação inferior a 1 por cento neste domingo. O Bitcoin, que representa cerca de 60 por cento do valor de mercado do setor, era negociado em torno de US$ 78 mil, aproximadamente 5 por cento abaixo da máxima registrada na quinta-feira, antes do ataque, conforme o relato do jornal O Globo.
“De certa forma, isso mostra o quanto o setor amadureceu. Vimos respostas extraordinariamente rápidas”, afirmou Haseeb Qureshi, sócio-gestor do fundo de venture capital Dragonfly. Empresas do setor vinham enfrentando meses de volatilidade, como mostrou a análise sobre a estabilidade do Bitcoin publicada por este site.
Os ativos desviados estavam distribuídos por dez blockchains, entre elas Bitcoin e Ethereum. Além do caixa próprio, a Binance usou reservas de emergência e apólices de seguro para recompor o que foi levado.
A invasão foi identificada na quinta-feira e levou a corretora a bloquear as retiradas ainda naquele dia. Desde então, a empresa não divulgou um balanço oficial sobre quantos clientes foram atingidos, o que alimentou a cobrança por transparência dentro do próprio setor.
Não é o primeiro golpe de grande porte atribuído ao mesmo grupo. Em fevereiro de 2025, a Bybit perdeu cerca de US$ 1,5 bilhão em um ataque também ligado ao TraderTraitor. Autoridades ocidentais tratam o grupo como um braço do Lazarus, rede de hackers vinculada ao governo da Coreia do Norte que financia programas militares com recursos desviados de bancos e corretoras.
O que esperar daqui para frente
Os 10 por cento restantes correspondem a tokens menos líquidos, o que pode atrasar a recompra nas quantidades necessárias. A empresa não deu prazo para concluir a cobertura total.
Para a Binance, o desafio agora é reconquistar a confiança de clientes que viam a corretora como a mais segura do setor. A empresa tem usado reservas próprias para cobrir o rombo, sem mexer no saldo dos usuários.
O episódio também reacendeu o debate sobre segurança em corretoras centralizadas. Parte dos analistas pede auditorias independentes e mudanças na forma como grandes plataformas guardam as chaves dos clientes.
Com informações de O Globo, Forbes Brasil e agências internacionais.
Foto: Reprodução / O Globo
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