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Ataque russo a centro humanitário na Ucrânia mata 31

Ataque russo a centro humanitário na Ucrânia mata 31

Ataque russo a centro humanitário na Ucrânia mata 31

Um bombardeio das forças russas contra uma escola usada como centro de distribuição de ajuda humanitária deixou ao menos 31 mortos na segunda-feira (2), na localidade de Komyshuvakha, região de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia. Ao menos 50 pessoas seguem desaparecidas, segundo as autoridades locais. Os números mudaram várias vezes ao longo do dia.

Como o ataque russo aconteceu

Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, as forças russas lançaram uma primeira série de bombas aéreas guiadas sobre o local. Quando os moradores buscaram abrigo, um segundo ataque, com mais nove bombas, atingiu especificamente o abrigo onde as pessoas haviam se protegido.

O prédio não tinha aulas. A localidade fica próxima à linha de frente dos combates, e a escola servia como abrigo e ponto de distribuição de alimentos e suprimentos essenciais. A ajuda aos moradores que permaneceram na região era distribuída todas as segundas-feiras.

O balanço subiu ao longo das operações de resgate. Zelensky informou 18 mortos no início. Depois, os serviços de emergência elevaram o número para 24 e, em seguida, para pelo menos 29. Nesta terça-feira (3), as autoridades passaram a falar em 31 vítimas fatais.

Socorristas e policiais estão entre os mortos

A segunda onda de bombardeios atingiu as equipes que atendiam as vítimas. Entre os mortos estão dois integrantes dos serviços de emergência e quatro policiais, que chegaram ao local após os primeiros ataques. Outros dois socorristas ficaram feridos e receberam atendimento hospitalar.

De acordo com as autoridades ucranianas, socorristas e policiais procuraram abrigo diante do risco de novos bombardeios. Ainda assim, foram atingidos. As autoridades decretaram três dias de luto na região, de 3 a 5 de novembro.

O ataque destruiu parte das instalações da escola, o ginásio esportivo e uma construção anexa. Nesta terça-feira, dezenas de socorristas e voluntários continuavam as buscas entre os escombros. O trabalho enfrenta dificuldades por causa dos ataques com drones nas proximidades.

Uma das piores tragédias da região, diz autoridade

“Esta é uma das piores tragédias em número de vítimas civis em nossa região desde o início da guerra em grande escala”, escreveu Mykhailo Semikin, chefe interino da administração militar de Zaporizhzhia, em uma rede social.

Zelensky classificou a ação como um ataque particularmente cruel contra a população civil. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, chamou a ofensiva de bárbara e cínica.

Rússia nega e negociações avançam

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças tinham como alvo unidades militares ucranianas nas proximidades. Moscou garantiu que seus ataques não miravam civis de forma deliberada. A Ucrânia também nega atacar civis como estratégia.

O bombardeio ocorre após o fim de um cessar-fogo de seis dias na cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia desde 2022. O ataque também acontece às vésperas de uma nova rodada de negociações entre os dois países.

Segundo uma autoridade americana ouvida pela agência Reuters, os Estados Unidos vão reunir delegações russa e ucraniana em Abu Dhabi, nos dias 10 e 11 de novembro. O encontro deve discutir o fim da guerra e medidas para reduzir as hostilidades.

Risco crescente para civis e imprensa

O ataque ocorre em meio à preocupação internacional com a segurança dos civis na Ucrânia. Escolas, hospitais, abrigos e estruturas de assistência humanitária próximas à linha de frente enfrentam risco constante de bombardeios.

A tragédia de Komyshuvakha expõe também a vulnerabilidade dos trabalhadores humanitários e das equipes de emergência. Esses profissionais atuam em condições extremamente perigosas para salvar vidas e, muitas vezes, ficam expostos a uma segunda onda de ataques.

O alerta sobre a cobertura de conflitos cresceu nesta semana. A Unesco divulgou um relatório sobre a impunidade de crimes contra jornalistas, com 86% dos casos sem solução e boa parte das mortes concentrada em zonas de guerra (leia mais nesta reportagem).

Especialistas em direito humanitário lembram que escolas, hospitais e pontos de distribuição de ajuda são protegidos pelas Convenções de Genebra. Ataques deliberados a esses locais podem ser classificados como crimes de guerra.

A região de Zaporizhzhia é uma das mais afetadas pelo conflito. Ela abriga a maior usina nuclear da Europa e fica próxima à linha de frente desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022.

O caso de Komyshuvakha foi documentado pelo Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), que registrou o ataque a civis e a socorristas que atendiam a população local.

O que esperar daqui para frente

As operações de resgate e a identificação das vítimas prosseguem na região de Zaporizhzhia. O governo ucraniano deve pressionar por novas medidas humanitárias e por mais condenações internacionais nos próximos dias.

Enquanto isso, a população local segue sem acesso regular a alimentos e assistência. O bombardeio de Komyshuvakha se soma a uma guerra que já provocou milhares de mortes, deslocamentos forçados e a destruição de infraestruturas essenciais.

Com informações do Vatican News e da Veja.

RedeBrasil

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