Eric Dane: livro revela erro de diagnóstico antes da ELA
O livro póstumo de Eric Dane revela um diagnóstico errado meses antes da descoberta da esclerose lateral amiotrófica (ELA). A obra “My Book of Days: A Memoir in Moments” chegou às livrarias nesta terça-feira (3) e traz o relato do ator sobre a sequência de consultas que enfrentou até receber a confirmação da doença. Dane morreu em 19 de fevereiro de 2026, aos 53 anos.

O diagnóstico errado e a descoberta da ELA
No livro, o ator conta que procurou ajuda médica ao perceber que perdia aos poucos os movimentos da mão direita. “Primeiro, consultei um especialista em mãos, que me encaminhou para outro especialista em mãos, que me mandou para um neurologista”, escreveu. O neurologista levantou a hipótese de uma neuropatia, mas considerou o quadro além de sua área e o encaminhou para outro profissional.
Dane passou então por diferentes especialistas e fez exames como a eletroneuromiografia, usada para avaliar a atividade de nervos e músculos. Os médicos chegaram a um consenso inicial de neuropatia motora multifocal, uma doença autoimune rara que provoca fraqueza muscular intensa. O tratamento tinha eficácia estimada em cerca de 90 por cento, mas ele não apresentou melhora.
Foi aí que o médico responsável mencionou a possibilidade de ELA. “Temos conversado sobre ELA. Mas precisamos esperar para ver”, teria dito o profissional, segundo o relato do artista. Dane ainda fez uma punção lombar e exames de imagem do cérebro. A confirmação veio em 2024, cerca de nove meses depois do início da investigação.
No livro, Dane descreveu a descoberta como uma “sentença de morte” e comparou a experiência a um “filme de terror”. Ele tornou o diagnóstico público em abril de 2025. A ELA é uma doença degenerativa que atinge os neurônios responsáveis pelo movimento e não tem cura conhecida.
A conversa com a ex-mulher e o impacto na família
Eric Dane relembrou também o momento em que contou a Rebecca Gayheart sobre a confirmação. Os dois estavam separados desde 2018, depois de mais de uma década de casamento, mas mantinham relação próxima. Ele disse ter sentido um “impacto violento, como se todo o ar tivesse sido arrancado” do corpo, e começou a soluçar enquanto a atriz chorava do outro lado da linha.
Em entrevista à revista People no mês passado, Gayheart definiu as palavras do ex-marido como um verdadeiro “soco no estômago”. Ao imaginar o que diria a Dane caso pudesse conversar com ele novamente, a atriz prometeu cuidar das filhas do casal, Billie, de 16 anos, e Georgia, de 14.
A quase recusa do papel de McSteamy
O mesmo livro mostra que Dane quase ficou de fora de “Grey’s Anatomy”. Ele revelou que quase recusou o papel do Dr. Mark Sloan, o McSteamy, porque a proposta inicial era apenas uma participação especial. O objetivo dele era outro personagem, o Dr. Derek Shepherd, que acabou com Patrick Dempsey.
“Eu daria um show nesse papel. Mas não vou. Passo”, escreveu ele sobre a recusa. Foi Rebecca Gayheart, então sua esposa, quem o convenceu a fazer o teste. A presença de Shonda Rhimes, criadora da série, pesou na decisão. “A presença dela me relaxa. Me sinto confortável, como se pertencesse àquele lugar”, recordou.
Dane interpretou McSteamy até a nona temporada, quando o personagem morreu, e voltou à série em 2021, em uma participação na 17ª temporada. O último episódio dele foi ao ar quase três anos antes do diagnóstico de ELA. Ele também ficou conhecido pelo papel de Cal Jacobs, na série “Euphoria”.
Bastidores, lesão e os anos difíceis no set
O ator contou que machucou o pescoço durante um treino e passou a tomar analgésicos. “Meu corpo desmoronou. Cheguei a pesar 77 kg, meu rosto ficou abatido, meus olhos turvos”, relatou. Segundo ele, a atitude no set mudou e ele se fechou completamente, mesmo sem birras ou discussões com a equipe.
Shonda Rhimes ofereceu ajuda, e ele recusou. “Digo a ela que estou lidando com isso. Minto para ela. Minto para mim mesmo”, escreveu. Reportagens sobre o livro destacaram também os relatos de vício e de internações no período em que a série vivia seu auge de audiência.
A morte de Eric Dane encerrou uma carreira marcada por papéis de galã na televisão. O livro chega oito meses depois de sua morte, com trechos divulgados pela Entertainment Weekly nesta terça. O universo das séries médicas, aliás, segue em alta nas premiações, como mostrou a liderança de indicações da TV americana na temporada.
Com informações de Hugo Gloss, com dados da Entertainment Weekly, People e Page Six. Outros trechos do livro foram detalhados na cobertura da obra.
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