O nosso cavalo de Troia
O famoso épico “Odisseia”, escrito por Homero e adaptado com sucesso para o cinema, revive a saga de Ulisses em busca de resgatar Helena, marco mitológico que originou a Guerra de Troia. Proporciona uma reflexão filosófica, trazendo para a realidade as aventuras do herói grego ao retornar para Ítaca após uma longa ausência. Uma narrativa que nos convida a refletir sobre nossa identidade, desejos e destino.
O estratagema utilizado por Ulisses na conquista de Troia foi engenhoso: a construção de um imenso cavalo de madeira que escondia em seu interior uma tropa armada. Os demais soldados fingiram uma retirada estratégica, deixando o enigmático cavalo na praia como um presente, próximo às muralhas. Assim, os invasores surpreenderam os troianos, saltando do cavalo e efetuando a destruição. Em São Paulo, temos o maior monumento equestre do mundo, com 48 metros de altura, uma obra de Victor Bechret, escultor ítalo-brasileiro, localizado na praça Princesa Isabel, em homenagem ao patrono do Exército Brasileiro, o duque de Caxias.
O mito do cavalo de Troia ressoa com grande precisão em nossos tempos, refletindo o que ocorre ao nosso redor. Assim como Ulisses enfrentou diversos desafios em sua jornada de retorno, como o cíclope de um olho só, as sedutoras e fatais sereias, e a feiticeira Circe que transformava homens em porcos, também encaramos nossas próprias aventuras humanas.
Entre nós, há também um cavalo simbólico, abrigando uma variedade de “monstros” que podem residir nas pessoas. Esse cavalo segue em disparada, com ferraduras e lanças avassaladoras, ainda estrategicamente utilizado no policiamento de choque. Tudo isso carregado de significados mitológicos: em seu interior, escondem-se indivíduos sedentos por poder, capazes de invadir e dominar. São como saqueadores perigosos, ávidos por riquezas ilícitas. Enquanto Ulisses estava distante de Ítaca, onde reinava, sua fiel esposa Penélope o aguardava. Rumores diziam que ele poderia estar morto. Não darei mais detalhes, pois o filme que aborda essa história certamente lhe interessará. Penélope passa seus dias tecendo uma mortalha para desfazê-la à noite, em uma estratégia para manter os pretendentes audaciosos entretidos, na esperança de que, ao concluí-la, atenderá aos que almejam ocupar o lugar de Ulisses.
Somos uma nação de 213 milhões de brasileiros, agindo como Penélope ao tecer nossa própria história. Ansiamos pelo retorno de nosso herói. Que ele se manifeste de forma real.



/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/X/4/woBLg0R12SAWJTBWxuCQ/36721525193-fbb1b119f9-k.jpg)