Escritório de Flávio Bolsonaro recebeu R$ 1,3 mi do Faraó
O escritório de advocacia do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 1,32 milhão por atuar na defesa de Tunay Pereira Lima. O cliente é apontado pelo Ministério Público Federal como sócio de Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins. A informação foi publicada pelo ICL Notícias neste domingo (25).
Os repasses aconteceram em março de 2024, antes do principal ato de Flávio no processo. O candidato não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Como os pagamentos chegaram ao escritório de Flávio Bolsonaro
Segundo o ICL Notícias, o escritório Gavioli, Viola & Gomes pagou R$ 1 milhão em 19 de março de 2024. Três dias depois, em 22 de março, houve um novo repasse de R$ 320 mil. Os dois valores somam R$ 1,32 milhão.
O destino foi o escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia. A reportagem afirma ter acessado comprovantes bancários das transferências.
De onde saiu o dinheiro
Os valores saíram de recursos apreendidos de Tunay na Operação Kryptos. Em 13 de março de 2024, a juíza federal Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, liberou R$ 12 milhões para o pagamento de honorários advocatícios.
A decisão deu cumprimento a um entendimento do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A base é a Lei 8.906 de 1994, o Estatuto da Advocacia, que permite destinar parte dos bens bloqueados de um réu ao pagamento dos advogados.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a prática tem amparo na lei. O ponto levantado pela apuração é o volume recebido em relação ao trabalho registrado nos autos.
Qual foi a atuação de Flávio no caso
De acordo com os autos acessados pela reportagem, a atuação de Flávio se resume a assinar um pedido de habeas corpus no TRF-2. O pedido tentava soltar Tunay e foi protocolado em 22 de abril de 2024, um mês depois dos pagamentos.
A reportagem diz não ter localizado outros atos do senador e candidato no processo. O espaço para manifestação segue aberto.
O que foi o esquema do Faraó dos Bitcoins
Glaidson Acácio dos Santos comandava a GAS Consultoria, que prometia lucros fixos de até 10% ao mês em supostas operações com criptomoedas. Na prática, segundo as investigações, funcionava como uma pirâmide financeira.
Entre 2015 e 2021, o esquema movimentou cerca de R$ 38 bilhões antes de ser desarticulado pela Polícia Federal. A lista de credores da massa falida da empresa passa de 77 mil nomes. Investigadores ligados ao caso estimam que até 300 mil pessoas podem ter sido lesadas.
Tunay foi apontado como sócio e braço-direito de Glaidson. Os dois foram os principais alvos da Operação Kryptos, que apurou as fraudes financeiras.
Glaidson já foi condenado a 19 anos e 2 meses de prisão pela Justiça do Rio, na Operação Novo Egito, por organização criminosa e corrupção ativa. A sentença foi publicada em outubro de 2025. Na ação federal da Kryptos, o MPF pediu a condenação nas alegações finais.
O que o caso soma ao histórico do candidato
Flávio chega ao segundo turno com uma série de investigações no Supremo Tribunal Federal. Em outubro, o sigilo sobre o caso das rachadinhas veio a público, e o blog mostrou como o esquema apontado em contratos de hospitais concentrou recursos em custeio.
Neste domingo, os eleitores decidem o segundo turno da eleição presidencial. A revelação sobre os honorários entra na reta final da campanha, em um momento de disputa apertada nas pesquisas.
O que esperar daqui para frente
O caso tende a ser levado ao debate público nas últimas horas de campanha. A defesa de Flávio ainda pode se manifestar sobre os comprovantes citados na reportagem.
No campo jurídico, a discussão sobre honorários pagos com recursos apreendidos já tem entendimento firmado pelo TRF-2. O que a apuração acrescenta é o detalhamento dos valores e do tempo entre o pagamento e o ato processual.
O que diz o Estatuto da Advocacia sobre os honorários
A Lei 8.906 de 1994 prevê que honorários podem ser pagos com valores apreendidos, desde que a Justiça autorize. O objetivo é garantir defesa técnica a réus que não têm recursos livres durante o processo.
No caso de Tunay, o pedido foi aceito pela Justiça Federal do Rio. O TRF-2 confirmou o entendimento, e a liberação de R$ 12 milhões abriu caminho para os repasses ao escritório contratado e aos demais defensores do réu.
Por que o valor chamou a atenção
O total de R$ 1,32 milhão representa uma fatia dos R$ 12 milhões liberados pela Justiça Federal. A apuração destaca o intervalo curto entre os dois pagamentos e o único ato de Flávio registrado nos autos.
O ponto mais sensível, segundo a reportagem, é o momento do recebimento. O habeas corpus foi protocolado quase um mês depois dos repasses, o que levanta a discussão sobre a proporção entre o valor pago e o trabalho efetivamente feito.
Procurado, o candidato não se manifestou até a publicação. O espaço para resposta segue aberto, e qualquer esclarecimento pode ser incorporado ao texto ao longo do dia.
Com informações do ICL Notícias (iclnoticias.com.br)
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