Protestos na Europa: Frankfurt tem motins e 290 detidos
Uma nova onda de protestos na Europa contra o custo de vida e a crise de moradia tomou as ruas do continente no fim de semana. Na França, cerca de 320 mil pessoas participaram das manifestações e mais de 290 foram detidas, segundo o governo francês. Em Frankfurt, na Alemanha, a mobilização juvenil terminou em motins e pilhagens.
Foi o terceiro fim de semana consecutivo de protestos. As mobilizações reúnem entidades estudantis, centrais sindicais e grupos de jovens, que cobram salários melhores, mais investimento em educação e aluguéis acessíveis.
França: 320 mil nas ruas e 290 detidos
O Ministério do Interior francês informou que cerca de 320 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país, sendo 70 mil na capital, Paris. As centrais sindicais e os organizadores, entre eles a Confederação Geral do Trabalho e o sindicato docente SNES-FSU, estimam que a participação total chegou perto de 500 mil.
A caminhada em Paris começou de forma pacífica na região da Porte de Bagnolet. No fim da tarde, confrontos isolados estouraram perto da Place de la Nation, onde a polícia lançou gás lacrimogêneo para dispersar pequenos grupos. Houve tensão também em Lyon, na região da Place Jean-Macé, além de Marselha e Toulouse.
O governo mobilizou 70 mil policiais e gendarmes. A prefeitura de Paris ainda proibiu o uso de máscaras de Halloween para esconder o rosto dos manifestantes. Segundo a agência AFP, as forças de segurança detiveram mais de 290 pessoas em todo o país.
As marchas tiveram a presença de lideranças da esquerda, como o dirigente Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, e a eurodeputada Rima Hassan. Ambos criticaram o arrocho salarial e o sucateamento dos serviços públicos. Entidades estudantis já preveem novos bloqueios em escolas e universidades no início da semana, e as centrais sindicais convocaram uma greve geral nacional para a próxima quinta-feira, dia 5.
Alemanha: Geração Z sai às ruas em 34 cidades
Na Alemanha, a organização juvenil “Gen Z regelt!”, que pode ser traduzida como “a Geração Z assume o controle”, convocou atos em 34 cidades. Entre elas estão Berlim, Frankfurt, Munique, Colônia e Leipzig.
Mais de 160 mil jovens marcharam contra a inflação, o aumento dos aluguéis nas grandes cidades e os cortes no orçamento da educação, segundo a cobertura do Vatican News. Os manifestantes também protestaram contra propostas do governo de restabelecer o serviço militar obrigatório.
Em Frankfurt, o protesto degenerou em tumultos e pilhagens na noite de sábado. Vídeos registraram montras partidas, incêndios e vários feridos. A polícia manteve reforço nas ruas da cidade durante o domingo e confirmou dezenas de detidos, conforme reportagem da Euronews.
Albânia e Portugal entram no outono quente
No centro de Tirana, estudantes se reuniram em frente ao Ministério da Educação para exigir a renúncia do primeiro-ministro socialista Edi Rama. O ato degenerou em confronto. Os manifestantes incendiaram lixeiras e atacaram os cordões policiais com pedras e bombas molotov. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos de água.
Portugal voltou a registrar mobilizações ligadas à crise habitacional, tema que também domina os protestos na Espanha. Segundo a imprensa europeia, movimentos de jovens de diferentes países vêm trocando experiências e inspiração, o que ajudou a espalhar as pautas pelo continente.
As marchas contra a extrema-direita na França, registradas em outros momentos deste ano, fazem parte do mesmo ambiente de mobilização. Elas mostram como a insatisfação social virou combustível para atos de rua em toda a Europa Ocidental.
Na Albânia, os protestos começaram meses atrás e se intensificaram nas últimas semanas. O gatilho inicial foi a insatisfação com um projeto imobiliário de luxo na costa do país, tema que se somou a queixas sobre o custo de vida e a qualidade do ensino público.
A França vive um período de desgaste político e de pressão sobre o orçamento da educação. Professores e estudantes se queixam de turmas superlotadas e de cortes no setor, enquanto as centrais sindicais cobram reajustes salariais acima da inflação.
Os governos dos países envolvidos enfrentam o mesmo dilema: responder à pressão social sem ampliar o conflito nas ruas. Na França, o Executivo tenta equilibrar o ajuste fiscal com o tamanho da mobilização, que reúne desde estudantes de 15 anos a trabalhadores sindicalizados.
O que esperar daqui para frente
As pautas que unem os manifestantes são parecidas em todos os países: inflação, aluguéis altos, educação sucateada e serviços públicos precarizados. Em comum, os jovens dizem que a Geração Z foi deixada de lado pelas agendas políticas tradicionais.
O calendário já tem novos atos marcados. A greve geral na França, no dia 5, deve testar a capacidade de mobilização do movimento. Na Alemanha, os organizadores falam em manter a pressão sobre os governos nas próximas semanas.
Com informações de Euronews, Brasil de Fato, Vatican News e AFP.
Imagem: Reprodução / Euronews
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