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França: protestos contra congresso da extrema-direita

França: protestos contra congresso da extrema-direita

França: protestos contra congresso da extrema-direita

Milhares de pessoas foram às ruas de Orléans, no centro da França, neste sábado (24) para protestar contra o congresso nacional do Rassemblement National (RN). O partido de extrema-direita reúne apoiadores antes do lançamento da campanha presidencial de Marine Le Pen para 2027. As autoridades esperavam entre 20 mil e 30 mil manifestantes.

Cerca de 50 partidos políticos, sindicatos e associações convocaram o ato contra o que chamam de “racismo, fascismo e imperialismo”. Entre os presentes estavam o prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, eleito pela La France insoumise, o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, e a secretária-geral da CGT, Sophie Binet.

Protestos na França reúnem esquerda e sindicatos

“Viemos dizer à extrema-direita, olhos nos olhos, que não temos medo”, declarou Bagayoko à chegada a Orléans. O prefeito rejeitou a ideia de que os manifestantes buscavam provocar violência.

Bagayoko afirmou que o grupo defendia a liberdade e os valores democráticos. Ele também acusou a extrema-direita de difundir discursos de ódio e criticou o presidente Emmanuel Macron por, na avaliação dele, não ter feito o suficiente para conter o avanço da sigla.

A mobilização ocorre em um momento de tensão crescente no país. A França vive uma sequência de protestos contra o custo de vida, os serviços públicos e as políticas do governo.

Ataque em Trappes eleva a tensão antes do ato

Na sexta-feira (23), um ataque em Trappes, a oeste de Paris, deixou um morto e cinco feridos. As autoridades investigam uma possível motivação racista para o tiroteio.

Bagayoko estabeleceu uma ligação entre a propagação de mensagens de ódio, em especial nas redes sociais, e o episódio. A fala reforçou o tom do protesto, que misturou pauta antirracista e defesa da democracia.

O contexto francês não é isolado. Em outros países da Europa, a ascensão de partidos de extrema-direita virou tema central do debate público. Na Alemanha, a Alternativa para a Alemanha acumula força nas pesquisas, movimento analisado em reportagem sobre Alice Weidel, a líder da extrema-direita alemã.

Segurança reforçada e toque de recolher em Orléans

Quase 3 mil policiais e gendarmes foram mobilizados na cidade. As autoridades temiam confrontos entre manifestantes e apoiadores da extrema-direita.

O esquema incluiu veículos blindados, helicópteros e drones. Diversos estabelecimentos protegeram as vitrines com tábuas e o transporte público foi suspenso durante o ato.

O prefeito de Orléans, Serge Grouard, decretou toque de recolher noturno para menores de 15 anos ao longo do fim de semana. A medida busca reduzir o risco de envolvimento de adolescentes em eventuais distúrbios.

RN reúne apoiadores e projeta Le Pen em 2027

O Rassemblement National espera milhares de apoiadores no congresso de dois dias. A previsão é que o presidente da sigla, Jordan Bardella, garanta um novo mandato na liderança do partido.

O encontro termina no domingo com um grande comício. O ato marca o lançamento da campanha de Marine Le Pen para a eleição presidencial de 2027.

O evento tenta mostrar força em um momento em que Le Pen busca consolidar sua posição antes da votação do próximo ano. A líder da extrema-direita francesa tenta manter o partido no centro da disputa política nacional.

Polêmica das revistas na entrada do congresso

Relatos compartilhados nas redes sociais apontaram que a organização do congresso revistava mulheres para verificar se usavam sutiã. A prática foi justificada como forma de identificar possíveis ativistas do movimento feminista Femen.

A jornalista Marylou Magal, do L’Express, afirmou que os controles incluíam uma “revista corporal rápida”. Segundo ela, seguranças colocavam uma mão nas costas das mulheres para checar a peça íntima. Quem não usava não era autorizada a entrar.

Uma correspondente do Rapporteur disse ter passado pela mesma situação. O episódio virou mais um ponto de crítica contra o partido no fim de semana do congresso.

O que é o Rassemblement National

O Rassemblement National nasceu como Front National, fundado em 1972. A sigla adotou o nome atual em 2018, em um esforço para ampliar o alcance eleitoral e se afastar da imagem mais radical das décadas anteriores.

Marine Le Pen dirigiu o partido por mais de uma década e o levou a disputas presidenciais seguidas. Hoje ela concentra esforços na campanha de 2027, enquanto Jordan Bardella preside a legenda e comanda a articulação do congresso.

A eleição presidencial francesa de 2027 deve ocorrer no primeiro semestre. O congresso deste fim de semana serve como vitrine para a sigla tentar transformar a força nas pesquisas em apoio eleitoral.

Semana de protestos em várias cidades

O ato de Orléans ocorreu em um fim de semana com mobilizações em várias partes do país. Os protestos misturam pautas ligadas ao custo de vida, aos serviços públicos e à insatisfação com as políticas do governo.

As forças de segurança ficaram em alerta reforçado após episódios recentes de distúrbios. O clima de tensão explica a mobilização de efetivo incomum para uma cidade do porte de Orléans.

Para os organizadores, o ato de sábado teve efeito simbólico. A mensagem era mostrar que setores da esquerda e do movimento sindical pretendem ocupar as ruas antes de o partido de extrema-direita entrar em campanha.

Com informações da Euronews

RedeBrasil

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