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Indulto a Bolsonaro: Alcolumbre propõe e direita recusa

Indulto a Bolsonaro: Alcolumbre propõe e direita recusa

Indulto a Bolsonaro: Alcolumbre propõe e direita recusa

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), propôs um indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca de votos para sua reeleição no comando da Casa. A oposição, no entanto, rejeitou o gesto. A informação é da Folhapress.

Senadores de direita afirmam nos bastidores que a proposta não tem chance de virar apoio. A maioria prefere manter os próprios candidatos e seguir pressionando pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que Alcolumbre propôs

Segundo a reportagem, Alcolumbre busca uma forma de conquistar votos na direita para se reeleger. Em troca, estancaria a pressão pelo impeachment de ministros do STF.

O senador afirmou a aliados que vai conversar com Lula para defender um indulto humanitário a Bolsonaro, preso desde agosto de 2025 pela participação numa tentativa de golpe de Estado. Se o petista não aceitar, ele pretende defender a aprovação de uma anistia pelo Congresso, conforme a apuração da Folhapress publicada pelo ICL Notícias.

Qual a diferença entre indulto e anistia

O indulto é prerrogativa exclusiva do presidente da República. Ele é concedido por decreto, perdoa a pena, mas mantém a condenação.

A anistia depende do Congresso, que a aprova por lei, e apaga o próprio crime. Nos dois casos, o STF pode ser acionado para avaliar se o ato respeitou os limites da Constituição.

Por que a oposição recusou o acordo

A oposição no Senado tem dois candidatos: Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A principal pauta do grupo é o impeachment de ministros do STF.

Com a presidência nas mãos da direita, os senadores teriam condições de abrir processos de afastamento de magistrados. Para aprovar o afastamento, são necessários 54 votos, dois terços dos 81 senadores.

Os oposicionistas também desconfiam da promessa. Cobram que Alcolumbre efetive um compromisso anterior, a redução das penas dos condenados pelo 8 de Janeiro. O Congresso aprovou a medida, mas uma liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu o benefício.

As cobranças dos senadores de direita

O deputado e senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) disse que “está em jogo algo muito maior do que a anistia ou indulto a Bolsonaro”. “Alcolumbre não tem palavra nem credibilidade”, afirmou.

Para o senador Jorge Seif (PL-SC), a proposta não fará a oposição votar em Alcolumbre. “Esse já era o tratado lá atrás. Apoiamos ele em 2024 com essa promessa de anistia”, declarou.

Nos bastidores, senadores de direita disseram à Folha que a chance de Alcolumbre obter votos é remota. Isso só ocorreria se ele pautasse algum benefício a Bolsonaro antes da eleição interna da Casa.

O senador Laércio Oliveira (PP-SE) levou a ideia a Alcolumbre na segunda-feira (26), um dia após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Segundo ele, a proposta é desvinculada da disputa interna.

O peso da votação secreta

Alcolumbre confia na votação secreta para atrair votos do PL. O partido afirma que é difícil mapear traições no Senado, já que a Casa tem apenas 81 integrantes.

Para eleger o presidente do Senado, é preciso reunir 41 votos. O PL terá 29 cadeiras a partir de 2027 e conta com aliados em outras siglas.

O calendário da disputa no Senado

A bancada do PL se reúne na próxima quarta-feira (4) e deve lançar Rogério Marinho à presidência da Casa. A senadora Tereza Cristina também quer concorrer.

Os dois afirmam que juntarão forças até a eleição para derrotar Alcolumbre. A bancada que toma posse em fevereiro de 2027 é ainda mais resistente ao atual presidente do Senado.

O que muda para o governo Lula

Na base governista, senadores não acreditam que Alcolumbre de fato planeje indultar Bolsonaro. O grupo avalia que, após a fuga de Flávio Bolsonaro, a direita ficou sem liderança natural.

Esse cenário facilitaria defecções do grupo para apoiar o atual presidente da Casa. Alcolumbre foi eleito em 2025 com o apoio da oposição e do presidente Lula, mas bolsonaristas entendem que ele atendeu majoritariamente ao governo.

Ao menos 49 dos 81 senadores da nova legislatura defendem o impeachment de ministros do STF, mas muitos fazem isso com ressalvas. O cálculo de aliados do presidente do Senado é que o afastamento se tornou mais improvável com a vitória de Lula. Para entender como a anistia entrou na pauta, vale reler a análise sobre o caminho aberto pela dosimetria do STF.

O que está em jogo na eleição do Senado

A presidência do Senado controla a pauta da Casa. Nas mãos da direita, a escolha abriria caminho para votar o impeachment de ministros do STF.

Para o governo, manter um aliado na presidência ajuda a aprovar projetos de interesse do Planalto. A eleição interna ocorre no início de fevereiro de 2027, quando toma posse a nova legislatura.

Davi Alcolumbre é senador pelo Amapá e preside o Senado desde 2025. Ele foi eleito para o comando da Casa com apoio da oposição e do presidente Lula.

Com informações da Folhapress, via ICL Notícias

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