Lixo internacional: praia de SP recolhe 28 kg em um dia
A Praia de Itaguaré, em Bertioga, no litoral de São Paulo, registrou a maior coleta de lixo internacional já documentada na região. Em um único dia, a ONG Ecomov recolheu 137 resíduos de origem estrangeira, que somaram mais de 28 quilos. A ação ocorreu em 23 de outubro e reforçou um alerta que a entidade acompanha há anos: o lixo internacional nas praias paulistas cresce a cada temporada.
O que foi encontrado na Praia de Itaguaré
A coleta aconteceu durante um monitoramento de 6,16 quilômetros da praia, em uma faixa de cerca de 45 metros de largura. Segundo a Ecomov, a maior parte dos resíduos (94,16%) era de embalagens de alimentos e bebidas. Entre os itens estavam garrafas de água, caixas de suco e de leite, sachês de condimentos e frascos de óleo de cozinha.
Os voluntários também recolheram recipientes de desodorantes, inseticidas e selantes químicos usados em reparos náuticos. A variedade dos materiais indica que boa parte do lixo passou tempo no mar antes de chegar à areia.
A China lidera a origem dos resíduos
Entre os 137 itens, a China apareceu no topo da lista de países de origem, com 72 unidades, mais da metade do total. Cerca de 71% dos resíduos tinham origem asiática, segundo a organização.
A entidade afirma que os materiais têm características compatíveis com o consumo a bordo de navios mercantes. Ainda assim, a ONG evita cravar que os objetos tenham sido jogados diretamente no mar pelas embarcações.
Lixo internacional nas praias paulistas cresce 454%
Os levantamentos da Ecomov mostram que o problema se agrava. Em 2019, a organização identificou 220 itens de origem internacional. Em 2024, o número saltou para 1.218, uma alta de aproximadamente 454%.
Desde março de 2025, a ONG já registrou ao menos 2,6 mil resíduos internacionais em praias entre São Sebastião e Iguape. No período entre março de 2025 e maio de 2026, os materiais vieram de 29 países, distribuídos em quatro continentes. São Sebastião liderou as ocorrências, seguida por Peruíbe e Bertioga.
De onde vem o lixo internacional
O presidente da Ecomov, Rodrigo Azambuja, aponta o descarte irregular por embarcações como uma das explicações possíveis. Os navios mercantes percorrem a costa paulista em direção ao Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina.
A organização estima que mais de uma tonelada de lixo internacional seja descartada por dia em áreas portuárias do Sudeste e do Sul do país. A entidade, no entanto, não detalhou a metodologia usada nesse cálculo.
Monitoramento contínuo e ação do Ministério Público
Desde 2017, o Projeto Overboard monitora resíduos internacionais nas praias do litoral de São Paulo. Entre 29 de agosto e 23 de outubro, a ONG participou de dez saídas de campo. Nessas ações, recolheu mais de 600 resíduos, entre nacionais e internacionais.
A Ecomov acompanha um inquérito civil junto ao Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público de São Paulo. Para a entidade, os monitoramentos ajudam a identificar as possíveis origens dos resíduos e a orientar ações de fiscalização e conservação ambiental.
Por que o lixo no mar preocupa
Resíduos plásticos que chegam ao oceano se fragmentam em partículas menores e entram na cadeia alimentar marinha. Em coletas anteriores na região, a organização já encontrou materiais com características cancerígenas e corrosivas, o que eleva o risco para banhistas e para a vida marinha.
O acúmulo de lixo nas praias também afeta o turismo e a pesca, duas atividades centrais para a economia do litoral paulista. Cidades como Bertioga, São Sebastião e Peruíbe dependem do movimento de visitantes na alta temporada.
Governo de SP tem plano contra o lixo plástico
O estado de São Paulo lançou um plano de dez anos para zerar o lixo plástico no litoral paulista. A iniciativa prevê metas de redução e de limpeza, mas ainda depende de fiscalização efetiva para sair do papel.
O trabalho das ONGs funciona como uma espécie de sensor do problema. Os dados recolhidos em campo ajudam a apontar as áreas mais críticas e servem de base para cobrar respostas do poder público.
O que esperar daqui para frente
A Ecomov pretende manter o monitoramento em praias e unidades de conservação do litoral paulista. A entidade quer ampliar a fiscalização sobre o descarte feito por embarcações e cobrar avanços no inquérito do Ministério Público.
Sem controle, a tendência é de que os resíduos internacionais continuem chegando às praias de São Paulo em volume crescente. Os números de 2024, cinco vezes maiores que os de 2019, mostram que o problema está longe de ser resolvido.
Como o lixo internacional chega às praias
Correntes marítimas e o movimento de navios ajudam a espalhar resíduos por trechos distantes de onde foram descartados. Por isso, um item consumido em outro país pode aparecer meses depois na areia do litoral paulista.
A Ecomov monitora essa rota há anos. Segundo a própria entidade, o volume de itens estrangeiros recolhidos na costa paulista não para de crescer, o que reforça a hipótese de descarte recorrente por embarcações.
Bertioga entra no radar da fiscalização
A Praia de Itaguaré fica em uma área com trechos preservados de Mata Atlântica e restinga. A presença de lixo internacional em um ponto como esse mostra que o problema não se limita a praias urbanas ou a regiões de grande movimento turístico.
O caso reforça a cobrança por fiscalização mais dura sobre o tráfego marítimo que passa rumo ao Porto de Santos. A reportagem completa está no g1.
Com informações do g1
RedeBrasil



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